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Como evitar perdas no feijão em fase reprodutiva

Manejo hídrico garante melhor formação de vagens


Foto: Canva

O manejo do feijão durante o estádio reprodutivo é considerado decisivo para preservar o potencial produtivo da lavoura e reduzir os impactos provocados pelo estresse térmico e hídrico. Nesse período, que se estende desde a emissão dos primeiros botões florais até a maturação das vagens, a cultura apresenta elevada sensibilidade às variações de temperatura e disponibilidade de água no solo.

Especialistas destacam que o principal objetivo do manejo nessa fase é manter a temperatura foliar e do dossel dentro de níveis adequados, além de garantir oferta de água suficiente para as plantas sem provocar encharcamento. Entre as estratégias recomendadas estão o ajuste da irrigação, a manutenção da cobertura do solo com palhada, o equilíbrio nutricional e, em situações específicas, o uso de reguladores de crescimento e bioestimulantes sob orientação técnica.

O estádio reprodutivo compreende as fases de florescimento, formação de vagens, enchimento de grãos e maturação fisiológica. Durante esse período, o feijoeiro aumenta significativamente a demanda por água e nutrientes, tornando-se mais vulnerável a eventos climáticos adversos. Mesmo episódios de curta duração de calor excessivo ou deficiência hídrica podem comprometer o pegamento das flores e o enchimento dos grãos.

A sensibilidade da cultura está relacionada a processos fisiológicos fundamentais, como a formação do pólen, a fecundação das flores, o desenvolvimento das vagens e o transporte de açúcares produzidos pela fotossíntese. Quando submetida a altas temperaturas ou à falta de água, a planta reduz sua atividade fotossintética, apresenta menor viabilidade do pólen e aumenta a ocorrência de abortamento de flores e vagens.

Entre os principais prejuízos observados em campo estão a queda de flores antes da formação das vagens, o abortamento de estruturas reprodutivas jovens, a formação de grãos mal desenvolvidos e a redução do período de enchimento dos grãos. Além disso, oscilações bruscas entre períodos secos e excesso de umidade podem favorecer o surgimento de doenças.

Para minimizar o estresse hídrico, o planejamento da época de plantio é apontado como uma das medidas mais importantes. O objetivo é fazer com que as fases de florescimento e enchimento de grãos coincidam com períodos de menor risco de estiagem prolongada ou ondas de calor. A escolha de cultivares adequadas e o escalonamento das semeaduras também ajudam a reduzir a exposição das lavouras aos eventos climáticos.

Nas áreas irrigadas, o monitoramento constante da umidade do solo permite ajustar as lâminas de água de forma mais eficiente. A recomendação é trabalhar com irrigações mais frequentes e volumes moderados, mantendo a umidade próxima à capacidade de campo e evitando tanto o déficit quanto o excesso de água. O encharcamento, segundo os especialistas, também representa uma forma de estresse hídrico, pois reduz a oxigenação das raízes e favorece problemas sanitários.

A cobertura do solo com palhada é outra prática considerada estratégica. Além de reduzir a evaporação da água, a palhada ajuda a diminuir a temperatura da superfície do solo, melhora a infiltração da água e favorece a atividade biológica. Em sistemas de plantio direto e rotação de culturas, esse benefício tende a ser ainda mais evidente.

O controle das plantas daninhas também ganha importância no período reprodutivo. A competição por água, nutrientes e luz pode agravar os efeitos da seca e reduzir ainda mais a capacidade produtiva do feijoeiro. Por isso, especialistas recomendam que o manejo das invasoras seja realizado antes do florescimento.

No caso do estresse térmico, algumas medidas podem contribuir para amenizar os efeitos das altas temperaturas. A manutenção da cobertura vegetal, o manejo adequado da densidade de plantas e a escolha de cultivares mais tolerantes ao calor ajudam a reduzir a temperatura do ambiente ao redor da cultura e a preservar o desenvolvimento das plantas.

A nutrição equilibrada também desempenha papel importante na tolerância aos estresses. Nutrientes como potássio, cálcio e boro participam diretamente de processos ligados ao florescimento, formação das vagens e regulação hídrica. Micronutrientes associados aos mecanismos antioxidantes das plantas também contribuem para reduzir os danos provocados pelas condições adversas.

Embora bioestimulantes e reguladores de crescimento possam ser utilizados em algumas situações para auxiliar no pegamento das flores e no vigor das plantas, especialistas ressaltam que esses produtos devem ser empregados apenas com recomendação técnica. Eles não substituem práticas fundamentais como irrigação adequada, escolha correta da época de plantio e manejo eficiente do solo.

O acompanhamento constante das condições climáticas, da umidade do solo e do desenvolvimento das plantas é considerado essencial para a tomada de decisões. A combinação entre planejamento, monitoramento e manejo integrado permite reduzir perdas e aumentar a capacidade do feijoeiro de enfrentar períodos de calor e déficit hídrico durante as fases mais sensíveis do ciclo produtivo.

Para as safras entre 2025 e 2026, marcadas por cenários de elevada variabilidade climática, especialistas reforçam que a integração entre plantio direto, rotação de culturas, escolha de cultivares adaptadas, manejo nutricional e monitoramento climático deverá ser cada vez mais importante para preservar a produtividade das lavouras de feijão. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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